Sunday, October 14, 2007

Sobre The bubble e outras coisas mais...

Henrique comentou em um post sobre o Polock, em sua obra, estar a mercê da realidade. Enfim, não era o cerne da questão que ele tratava mas certamente foi uma observação interessante. Talvez minha contribuição para a discussão venha de um dos filmes que vi recentemente, The Bubble de Eytan Fox que em São Paulo esteve em cartaz por todo o mês de setembro. Não sei qual a desempenho do filme com o público, mas com a crítica certamente foi um fiasco. A ilustrada tachou a fita com 1 estrelinha. Curioso...

A grande e boa questão de Bubble é a de jovens que simplesmente tentam se descolar do meio em que vivem ou talvez, melhor ainda, criar uma outra realidade dentro daquela a qual estão imersos. Enquanto algumas análises faziam questão de ressaltar o amor homossexual que surge no filme e a crítica ao conflito israel-palestina a beleza do filme surge de outro lugar: são jovens com plena consciência dos problemas políticos que os envolvem - estão longe de serem alienados - mas lidam com eles de uma maneira não tradicional, não militante digamos. Ao invés de escolherem lados procuram se cercar justamente de uma bolha; não interessam nenhum dos lados sobre o que está acontecendo mas sim que aquilo simplesmente não esteja acontecendo. Numa manhã em uma Tel Aviv quase totalmente vazia uma das personagens diz "Eu amo Tel Aviv. É uma pena que seja cercada de tanto lixo".

Não é uma obra para ser colocada ao lado do cinema político de Amos Gitai - excelente por sinal. Enquanto este transita naquele território entre a ficção e o documentário trazendo inúmeros planos sequências e se quer um emissor da realidade em Bubble temos uma questão totalmente diferente, ele não pretende entender o conflito estando mais interessado em retratar um amor num ambiente hostil, onde o meio aparece sempre como um empecilho para a paixão dos protagonistas. Interessante é que se me recuso a chamar cinema de Fox de político a sua posição certamente transmite valores e desperta posições políticas: o grande "triunfo" da guerra é o de destruir pessoas.

O filme me remeteu ao cinema de Gus Van Sant, penso aqui em Gênio Indomável e Encontrando Forrester. Nesses dois filmes encontramos os meios - o termo em inglês enviroment me parece não ter tradução que se equipare em português - onde as personagens vivem e suas relações amplamente descritos. Van Sant se interessa por aquelas grandes figuras que surgem de ambientes desprestigiados. Não só um homem é muito mais rico do que o meio em que vive como os ambientes também são muito mais ricos do que se possa imaginar - ou do
que a imagem que se faça deles. Assim para Van Sant as grandes personagens vão se mostrar além-meios, o seja sendo grandes aonde quer que seja. Em Fox o problema é outro, é impossível se descolar daquele environment.

Embora ainda em estado embrionário a comparação parece poder render, num próximo post tentarei falar mais do Gus Van Sant.

deixo o trailler do Bubble tb, parece que está sendo exibido em Campinas.

cae.


1 comment:

Alexandre Nakahara said...

cae!
Eu vi Last Days esse fds!!
É mto bom, acredito que você vá gostar também.
Um deslocamento e um desonhecimento absurdo. Preciso assistir de novo para falar melhor, mas a primeira impressão foi boa!