Sunday, April 27, 2008

Vinil - UPDATED

Um amigo trouxe uma radiola aqui para casa. É engraçado como eu estou totalmente maravilhado com a volta do vinil à minha vida, ausente que ele estava desde a minha infância. Como me sinto feliz e curioso ao trocar o disco de lado e ficar olhando a agulha passar pela faixa. Me parece mágico que exista uma coisa assim, analógica. A agulha passa pelas irregularidades da superfície e daí se origina música! É realmente incrível, por mais que eu conheça toda a ciência do processo, muito melhor do que eu compreendo como um sinal binário pode se transformar na mesma música (o que envolve muito mais abstração, mas por algum motivo não tem graça nenhuma).

E fico aqui apreciando os ruídos e a limitação de ouvir só os discos que eu realmente tenho em casa. E se chega um novo, ah, que alegria!

É engraçado como a experiência do vinil confere ao ato de ouvir Os Doces Bárbaros uma condição especial. Quase uma aura benjaminiana. Aí se vê que o homem tinha razão, e merece ser atualizado sempre, vez que o vinil já é o fruto da reprodutibilidade técnica, mas a reprodutibilidade eletrônica fez girar um outro ciclo de mudanças no inconsciente óptico, na experiência de contato com as peças de arte.

UPDATE - 29/04/2008
Barra/.Ponto comentou:

considere 44100 capturas de som por segundo. considere também uma dinâmica de som de 120db. o que isto significa? que a precisão/dinâmica do som no CD pode ser muito melhor que o som do vinil (dinâmica de 90db, e som análogo na hora de gravar*)
Pois é. No CD é tudo automático, controle remoto, muito mais difícil de riscar e ficar cheio de pipoco no meio da música, não precisa levantar da rede pra mudar o lado do disco. Mas o meu encanto com a volta do vinil à minha casa não derivou da qualidade do som, de modo algum.

Com efeito, uma coisa mudou: costumamos ouvir música digital em equipamentos muito inferiores, caixinhas de som de computador. Eu sei, você pode ter um sistema de som bem legal no seu PC, ou pode ter um tio Jair que fez uma gambiarra e ligou a placa de som no Philips dele e agora baixa todos os discos do Sivuca e ouve bem altão. Não precisa citar exceções, estou falando da regra.

Mas o que me deu grande prazer em ouvir vinis foi justamente todo o ritual, o fato do disco ter uma história por trás de cada risco, cada pipoco na reprodução, de você poder ouvir tanto um disco riscado que já sabe onde estão os pulos. Todos os motivos porque o CD venceu, são todos os motivos porque eu estou adorando voltar a ouvir vinil.


3 comments:

barra/.ponto said...

considere 44100 capturas de som por segundo. considere também uma dinâmica de som de 120db. o que isto significa? que a precisão/dinâmica do som no CD pode ser muito melhor que o som do vinil (dinâmica de 90db, e som análogo na hora de gravar*), mas isto é comprometido um fenômeno de hoje em dia chamado loudness war, que comprime a dinâmica do som e aumenta desnecessariamente o volume. pegue um vinil, repare como o som melhora conforme você aumenta o volume. tente um CD mais recente e sinta a diferença.

Henrique Cartaxo said...

Capi, o som não fica melhor, fica mais alto. Só que você começa a poder ouvir coisas que estavam baixinhas. No CD é tudo comprimido e aumentado junto, aí não existe mais dinâmica (que é o que dá mais potência a trechos que a merecem, porque aumenta o peso e a intensidade, e o volume). Porque realmente som mais alto dá uma ilusão de qualidade maior.

Não acho que isso seja tão recente assim, a não ser que você esteja considerando recente 10 anos pra cá.

Che said...

um disco que seria lindo ouvir é o abbey road. imagino quando alguém ouviu esse disco pela primeira vez e teve que trocar do última lado a 'i want you(she's so heavy)' para de repente, a primeira do lado b, 'here comes the sun'.